Amandio Bastos Junior em 22-11-2016

Ética profissional: a política do ganha-ganha x perde-perde

Hoje em dia a palavra ética tem conquistado cada vez mais espaço perante as pessoas e instituições, porém muitas vezes é meramente teoria. Escondida atrás desta palavra há coisas que até Deus duvida.

Hoje em dia a palavra ética tem conquistado cada vez mais espaço perante as pessoas e instituições, porém muitas vezes é meramente teoria. Escondida atrás desta palavra há coisas que até Deus duvida.
Infelizmente há muitas pessoas no mundo empreendedor que pensam sob a política do ganha perde, ou seja: para alguém ganhar algo, a outra pessoa tem que perder.

Segundo um amigo meu, no mundo dos negócios há um ditado muito triste que diz: "Todos os dias saem um otário e um esperto de casas diferentes, quando eles se encontram um negócio é fechado". Infelizmente há muitas pessoas no mundo empreendedor que pensam desta forma, é a política do ganha perde, ou seja para alguém ganhar algo a outra pessoa tem que perder. 

Hoje em dia a palavra ética tem conquistado cada vez mais espaço perante as pessoas e instituições, porém muitas vezes é meramente teoria. Escondida atrás desta palavra há coisas que até Deus duvida. O que é mais conveniente, sonegar impostos ou cumprir o dever com o leão? Pagar uma multa aplicada por um guarda de trânsito ou suborná-lo? Isto é, amigos, ganha-perde. 

São perguntas, entre outras, que deveríamos nos fazer antes de cometer qualquer ato ilícito. Meu saudoso pai trabalhava como gerente de uma linha de ônibus e era muito comum ele saber ou até mesmo pegar um cobrador mandando um passageiro pular a catraca para poder ficar com o dinheiro da passagem para ele. O resultado era sempre o mesmo, o cobrador era colocado no olho da rua, porém tal ato não intimidava outros funcionários do mesmo setor de fazer a mesma coisa. Isso também é ganha-perde. 

Todos os dias nós assistimos na mídia políticos e personalidades públicas tentando driblar polícia e órgãos competentes para poder se "dar bem" em prol de si. Logo eles que deveriam ser exemplo nacional para o povo, mas preferem se corromper para nos mostrar que eles podem e fazem o que querem com o dinheiro público. 

Por outro lado, há também certos patrões que se beneficiam da inocência ou ignorância de seus empregados para não cumprir com suas obrigações, tal como INSS, FGTS, etc. O problema é que nem toda vez eles se dão bem, pois ao saber que foram enganados, o empregado lesado geralmente vai buscar seus direitos na justiça. Daí vem a pergunta: Qual a vantagem de um dono de uma empresa passar por esta humilhação em troca de um pseudo "se dar bem"? Nesse caso, ganha-perde descarado. 

Na verdade tratar e falar de ética para alguns não é tão fácil como colocamos na teoria, é uma tarefa tão árdua que muitas vezes alguns pensam em desistir e se conformar achando que a vida é assim mesmo. 

Mas há luz no fim do poço, é a política do ganha-ganha. Fico feliz quando encontro algum empresário empreendedor que negocia com seus funcionários estratégias onde ele, o dono, ganha, mas seus funcionários também ganharão mediante busca de oportunidades e metas. Tenha você certeza que este bendito empresário será lembrado como uma pessoa boa e honesta, pois dá valor ao bem mais precioso que ele possui, o ser humano. 

Enfim, a tarefa é árdua, mas não é impossível, existem sim pessoas honestas neste país, porém são muitas vezes ofuscadas pelo brilho da ganância, da desonestidade, do espírito do "quero me dar bem". O consolo é que muitas vezes toda esta farsa tem os dias contados.

Amandio Bastos Junior

Consultor de empresas nas áreas organizacional e financeira, trainer e palestrante, especialista em Gestão de Pessoas e Metodologia pelo IBPEX, formado em coaching executivo e coaching de vida pela SLAC - Sociedade Latino Americana de Coaching, membro da ICI - International Association of Coaching institute, instrutor do IDEBRASIL. Possui grande experiência em ministrar palestras e treinamentos pelo Brasil. Autor de artigos para sites, revistas e jornais especializados na área de empreendedorismo. Trabalha com educação há mais de 25 anos.