Marcelo Bozi em 22-11-2016

Ao final do expediente você sai da empresa. Mas sua empresa sai de você?

"Você tem trabalhado demais". "Quando você vai conseguir tempo para mim e para seus filhos?". "Essa empresa ainda vai te matar!"- Quem é gestor ou dono de negócio e que ainda não ouviu cobranças familiares e alertas como estes?

"Você tem trabalhado demais". "Quando você vai conseguir tempo para mim e para seus filhos?". "Essa empresa ainda vai te matar!"- Quem é gestor ou dono de negócio e que ainda não ouviu cobranças familiares e alertas como estes?
Pode falar a verdade: você não fazia ideia do tamanho da sobrecarga que sua empresa te traria, não é?

Ao final do expediente você sai da empresa. Mas sua empresa sai de você? "Você tem trabalhado demais". "Quando você vai conseguir tempo para mim e para seus filhos?". "Essa empresa ainda vai te matar!"- Quem é gestor ou dono de negócio e que ainda não ouviu cobranças familiares e alertas como estes? Levar preocupações do trabalho para casa não deve ser encarado como algo normal. Saúde, família e qualidade de vida devem ser compatíveis com a sua vida de empresário e gestor. E a máxima de não se dever misturar vida profissional com vida pessoal parece para muitos um desafio inalcançável, sobretudo numa época onde somos obrigados a assumir cada vez mais papéis. 

Mas apesar de ser uma realidade comum, não deve ser mesmo considerada aceitável. E saiba que existe uma razão para essa sobrecarga de trabalho e aquela constante sensação ou certeza de que sempre ficou uma tarefa pendente no expediente do dia, ou que para cada tarefa cumprida, duas ou dez novas tomam o seu lugar: 

- Nas pequenas e micros empresas o proprietário ou gerente precisa tomar decisões de todas as esferas: financeira (contas a pagar e a receber); econômica (o resultado esperado que não aparece); sobre pessoas; sobre processos; sobre melhorias; investimentos; qualidade do produto ou serviço, e muitas outras. A parte de gestão de pessoas, em particular, costuma demandar muito tempo e energia, dada a complexidade que tem sido encontrar as pessoas mais adequadas para cumprir o mínimo que a empresa precisa para manter um bom nível de funcionamento, e ainda conseguir reter os bons funcionários. 

Uma pesquisa realizada pelo IDEBRASIL (Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Treinamentos), e que envolveu especialistas em gestão financeira, econômica, de pessoas, de mercado (marketing e vendas), negociação, compras e estoque (etc) apontou que, para gerir uma empresa com eficácia, ou seja, fazer o que precisa ser feito e cuidar do que precisa ser cuidado, o gestor ou proprietário precisaria de 40 horas diárias para estas tarefas. Isso mesmo! Você não leu errado! 40 horas diárias! Daí você pode estar se questionando: 
- Como seria humanamente possível realizar uma gestão de qualidade se o dia possui 24 horas e estou tentando não passar mais de 8 horas no trabalho? Então você começa a perceber o porquê daquela sobrecarga da qual você vive reclamando, e daquela sensação de carregar a empresa nas costas, sozinho. 

Mas não se sinta sozinho. Este fenômeno é mais comum do que se pensa! E algo que consegue agravar este quadro é a falta de capacidade e técnicas para o gestor priorizar as coisas que são realmente importantes. Ainda segundo pesquisa do IDEBRASIL junto a 1.500 empresários em 20 estados, o prejuízo calçado por erros comuns e rotineiros de gestão levam pelo ralo, em média, 10% do faturamento das pequenas e micros empresas. E, num processo de investigação a fundo (em casos acompanhados com mais profundidade) este desperdício chega a 17%. 

Parece coisa pouca? Então imagine que a sua empresa fature R$ 2.000,00 por dia. Num destes dias, você recebe uma carta anônima com as seguintes palavras: "O Rarnofrildo, do estoque, todo dia abre a gaveta do caixa da loja e tira quatro notas de CINQUENTA REAIS! Cuidado com o Rarnofrildo." Você como chefe justo, não demitiria o Rarnofrildo sem provas reais, mas certamente deixaria de fazer suas tarefas mais importantes para vigiar o caixa, e pegar o Rarnofrildo no flagra! Daí, a pesquisa do IDEBRASIL revela: este "Rarnofrildo" existe, e você permite que ele se instale na sua empresa, e lhe cause prejuízos enormes, trazendo preocupação e a sensação de que trabalha, trabalha, e que o resultado não vem. E o verdadeiro nome do Rarnofrildo (nome que inventei para não cometer o mesmo erro da história do Braulio, naquela campanha do Ministério da Saúde) é: falta de conhecimento em gestão. 

Mas então, o que fazer para deixar o Rarnofrildo longe da sua empresa, e possibilitar você dedicar seu tempo àquilo que realmente importa (pouco esforço para muito resultado)? Confira 04 dicas valiosas: 
 

  1. Não procrastinarás (empurrarás com a barriga): Albert Einstein já dizia "é uma insanidade fazer as mesmas coisas de sempre e esperar resultados diferentes". Dificilmente as coisas vão se resolver por si só.
  2. Fazei do conhecimento o seu aliado: se você aprendeu a conduzir a sua empresa "na escola da vida" e deu certo, ótimo! Mas se não tem dado, é hora de aprender, de estudar! E nunca é tarde. Procure bons treinamentos de gestão oferecidos aí mesmo na sua cidade, através de órgãos de classe, sindicatos, etc.
  3. Resgatarás a razão de ter empresa: você não abriu um negócio para ter dor de cabeça! Pare de encarar as dificuldades como algo normal e eterno. Acredite na vida após o expediente.
  4. Se decidir desistir, que seja baseado em fatos, e não em "achismo": o conhecimento vai te ajudar a melhorar a sua forma de administrar, ou fará você concluir que sua empresa não foi uma boa ideia. Nesta segunda hipótese não sofra! Quanto mais cedo descobrir que precisa mudar, mais cedo poderá realinhar a sua trajetória, e recomeçará fazendo da forma correta, aumentando infinitamente suas chances de sucesso.

Portanto, vale a pena reforçar: acredite em vida após o expediente.

Marcelo Bozi

Comunicólogo. Administrador. Especialista (MBA) em Gerenciamento de Projetos pela metodologia do Project Management Institute (PMI), atuando simultaneamente com Planejamento, Projetos, Comunicação Institucional e Promocional há mais de 12 anos. Estudioso constante de Publicidade em Ambientes Digitais, Comportamento do Consumidor Responsabilidade Sócio-Ambiental. Forjado no Terceiro Setor com projetos aprovados em instituições como Fundação Vale; Instituto C&A; Fundación Entreculturas (etc). Co-autor do Livro "Gestão da Pequena Propriedade Rural Familiar" - ISBN 978-85-63139-03-0". Fez parte do time responsável pelo Portal Kodak On-line, gerenciando as contas da Rede Kodak Express no ES. Atualmente está como gerente de projetos digitais na start-up Gestão sem Fronteiras. Realização: ver pessoas e empresas potencializadas. Alérgico a clichés e pedantismo. Frase norteadora: "O simples é o correto".