Marcelo Bozi em 22-11-2016

Tem achado seus superiores 'chatos' demais? Cuidado! O problema pode estar em você.

A 'chatofobia' pode indicar dificuldades de se adaptar a regras e padrões da empresa. Contudo, em se tratando de cultura empresarial, ou você se adapta ou poderá ser excluído do sistema.

A 'chatofobia' pode indicar dificuldades de se adaptar a regras e padrões da empresa. Contudo, em se tratando de cultura empresarial, ou você se adapta ou poderá ser excluído do sistema.
É importante saber enxergar a falsa roupa de autoritarismo na pessoa que possui como dever formal, defender a formalidade. E formalismo ainda não é pecado.

"Chefes são como nuvens: quando vão embora, o dia fica lindo". Você concorda com este ditado? Pois se você concorda algo está errado e não pode ser negligenciado. E este &39;algo&39; pode dizer respeito a como você encara e lida com as regras e padrões estabelecidos pela empresa onde você está agora, ou nas empresas onde você esteve. Em ambos os casos, cabe uma análise. 

Apesar de muitas empresas se esforçarem para que o colaborador sinta-se em casa, feliz em um ambiente agradável e produtivo (e neste esforço cabe todo tipo de iniciativa criativa da área de RH, desde decorar a mesa com itens pessoais até as sequenciais palestras motivacionais) é necessário que não se perca de vista que a produtividade é orientada a objetivos. No caso, aos objetivos da empresa. E você, como um "jogador" no sistema precisa entender e cooperar com as normas do jogo. Quando o responsável pelo time precisar trazer à tona com muita frequência as regras do jogo para que os membros ajustem o comportamento aos objetivos da empresa, e isto faz dele um chato perante o time, perde o grupo, perde você, e perde a sua carreira! Daí o grande risco para o qual você deve estar atento! 

Então, se você quer uma ajuda para te orientar melhor sobre como curar-se ou ficar menos susceptível à chatofobia, vão aqui algumas dicas: 

1) Não se vitimize. Entenda o terreno maior:
- Você vive em um país com excesso de leis, e com uma tradição de quebra delas. Vide os casos dos escândalos de corrupção. As leis por si só não garantem o bom funcionamento de um organismo, mas sem elas, ele entra em colapso. Portanto, como o micro é um reflexo do macro, a cultura do excesso de leis pode permear as pequenas organizações situadas num país com tal característica legal-burocrática. Não dá pra mudar sua empresa e carteira de clientes para a Inglaterra, onde nem se precisa de uma Constituição (dado o nível de civilização e civilidade). Portanto, entenda e sofra menos. 

2) O "chato" pode ser resultado da dinâmica do seu grupo:
- Se o seu chefe é obrigado a relembrar as regras do jogo com muita frequência, é porque devem sobrar cotoveladas e bolas para fora de campo. Você como um membro da equipe pode se imaginar vestindo o bracelete de capitão e exercer uma boa influência mesmo sem ser considerado "puxa-saco". Se você entende que as normas são legítimas, defenda-as. Num certo período de tempo as braçadeiras tendem a se multiplicar, e os chatos, a diminuir. 

3) Uma falta e dez cartões amarelos? Pode isso Arnaldo?
Não muito raro, um comportamento inadequado de um único membro é motivo de reunião de toda a equipe. E a repetição destes comportamentos dá origem a várias reuniões. O que não é nada justo com quem zela pelas regras do jogo e se vê lado a lado com quem de fato merecia receber um feedback pontual por alguma ação ou omissão que resultou numa quebra de norma. Se isto ocorre com frequência na empresa, a formação de chatos é culpa deles mesmos! Havendo abertura para tal, dê um feedback para seu superior e o alerte-o do risco que ele está correndo de praticar o "sermão coletivo". 

4) Você tem sido vítima de uma sucessão de empregos com chefes-mala?
- Deparar-se com chefes chatos tem se tornado um carma para você? Cuidado com o "locus externo" (o mundo tem problema, e não eu). Sucessivas experiências de não adaptação podem indicar um ponto seu que merece e deve ser trabalhado. Indico pesquisar e estudar a técnica e conceito da Janela de Johari, que é uma ferramenta conceitual, criada por Joseph Luft e Harrington Ingham em 1955, que tem como objetivo auxiliar no entendimento da comunicação interpessoal e nos relacionamentos com um grupo. Ela trata de campos conhecidos por nós, desconhecidos por nós mesmos, conhecidos pelos outros e desconhecidos pelos outros. Veja como "equilibrar" estes campos e faça autoexercícios. Ou, busque ajuda na boa e velha terapia. Sua carreira está em jogo. 

5) Você não é uma árvore. Se for o caso, mude-se!
Ainda não acumula experiências que indiquem dificuldade de se adaptar, e está convicto de que nunca irá se adaptar à empresa atual? Se você acredita que o fator "justiça" não orientou a formulação das regras no seu atual emprego, é hora de parar e planejar a sua saída. O seu organismo também possui normas de funcionamento, e costuma reagir muito mal a ambientes hostis. Portanto, é a sua saúde em risco. Talvez de fato este não é o emprego mais adequado para você. 

De qualquer forma, reveja sua forma de encarar os chatos. Aprenda a enxergar o objetivo por trás das normas, mesmo que as considere excessivas. 

Marcelo Bozi

Comunicólogo. Administrador. Especialista (MBA) em Gerenciamento de Projetos pela metodologia do Project Management Institute (PMI), atuando simultaneamente com Planejamento, Projetos, Comunicação Institucional e Promocional há mais de 12 anos. Estudioso constante de Publicidade em Ambientes Digitais, Comportamento do Consumidor Responsabilidade Sócio-Ambiental. Forjado no Terceiro Setor com projetos aprovados em instituições como Fundação Vale; Instituto C&A; Fundación Entreculturas (etc). Co-autor do Livro "Gestão da Pequena Propriedade Rural Familiar" - ISBN 978-85-63139-03-0". Fez parte do time responsável pelo Portal Kodak On-line, gerenciando as contas da Rede Kodak Express no ES. Atualmente está como gerente de projetos digitais na start-up Gestão sem Fronteiras. Realização: ver pessoas e empresas potencializadas. Alérgico a clichés e pedantismo. Frase norteadora: "O simples é o correto".